Brasilinvest desembolsa mais de R$ 1 bilhão para se tornar sócio da Camisaria Colombo

A fé de Garnero no Brasil

Em momentos de crise, um dos maiores obstáculos das empresas – se não for o maior – é a falta de recursos para crescer. Mesmo as companhias bem geridas são submetidas a uma verdadeira Via Crúcis na hora de buscar financiamentos ou novos investidores. No entanto, para a Camisaria Colombo, rede varejista paulista de vestuário masculino com faturamento de R$ 550 milhões no ano passado e 400 lojas no País, a peregrinação não demorou tanto assim. Na quinta-feira 27, a empresa fechou um contrato de fusão com o Garnero Group Acquisition Company (GGAC), braço de aquisições da Brasilinvest, banco de negócios no exterior do empresário paulista Mario Garnero. A transação, avaliada em US$ 330 milhões, cerca de R$ 1,1 bilhão, vai criar a Garnero Colombo, que já nascerá com ações listadas na bolsa Nasdaq, em Nova York. “Apesar de todas as dificuldades,  o varejo no Brasil está sobrevivendo”, disse à DINHEIRO Garnero, um católico devoto, colecionador de esculturas de santos como Nossa Senhora Aparecida, São Benedito e Santo Antonio. 

A operação se deu seis meses após a recompra de 49,9% das ações pelos irmãos Álvaro Jabur Maluf Júnior e Paulo Jabur Maluf, netos do fundador da empresa. A participação havia sido vendida, quatro anos atrás, para a Gávea Investimentos, gestora de fundos do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Mas os irmãos queriam um novo aporte, para poderem bancar um longo período de expansão da Colombo, e Garnero surgiu como um enviado providencial. Mesmo com as dificuldades do mercado acionário brasileiro, os irmãos Jabur Maluf pensavam em abrir o capital, e haviam contratado o banco Credit Suisse para assessorá-los na operação. “Por coincidência, tivemos uma conversa dos donos da Colombo com o meu filho Fernando, na época em que buscavam investimento”, diz Garnero, que será o presidente do conselho de administração da rede. “E percebemos que seria importante participarmos desde já.” O negócio vai permitir à Colombo ampliar o número de lojas no Brasil e até a pensar mais seriamente na internacionalização. “Temos uma pequena experiência nessa última área”, afirma, com modéstia, Garnero, frequentemente visto em eventos da alta sociedade americana, ao lado de personalidades como o ex-presidente americano George Bush.

As 400 lojas da Colombo em operação no País estão espalhadas por 170 cidades. Apesar da grande abrangência, Garnero enxerga potencial de abertura de novas unidades nos próximos anos, a despeito do das dificuldades atravessadas pela economia “O Brasil está cheio de oportunidades”, diz Álvaro Jabur Maluf Júnior, que junto com a sua família continuará como maior acionista (veja gráfico), com 25% do capital, e permanecerá como CEO. “A única certeza que tenho é de que o momento ruim vai passar.” A maior dificuldade para a execução dos planos da Colombo era o nível do seu endividamento, que fechou 2014 equivalente a 4,3 vezes o Ebitda. “A empresa tem margens ótimas, mas a alavancagem dificultava o negócio”, afirma. “Agora, teremos uma melhor estrutura de capital e a possibilidade de pegar empréstimos nos EUA, a taxas de juros mais confortáveis do que os 14,25% do Brasil, um nível impraticável para qualquer negócio.”

A transação também representa uma novidade para o mundo corporativo no Brasil. Ela contempla uma modalidade de investimentos inédita para empresas do País. O GGAC possuía uma empresa do modelo Spac (sigla em inglês para Companhia de Aquisição de Propósito Especial), listada na Nasdaq. Essa categoria de organização consiste em uma espécie de fundo de investimentos formado para buscar aquisições, mas que, até conseguir isso, não possuiu nenhum ativo físico. Ela existe apenas com a expectativa de que um dos seus investidores, no caso, Garnero, encontraria uma boa empresa na qual investir.  Em outras palavras, trata-se do encontro de investidores que precisam de um bom negócio com um bom negócio que precisa de investimentos. “É um encaixe lindo”, diz o CEO Jabur Maluf Júnior. Dessa forma, ao terminar o processo de fusão com a GGAC, a Colombo estará imediatamente listada na Nasdaq. Para isso, acontecer, no entanto, é preciso que a maioria dos mais de 300 investidores da Spac de Garnero aprove o negócio, o que tem prazo para acontecer até dezembro deste ano. 

 

Fonte: Istoé Dinheiro